Nexxera, nova multinacional manezinha – Diário Catarinense
Veículo: Diário Catarinense
Data: 21.11.10
Coluna: Informe Econômico – Estela Benetti
Assunto: 18 anos/Internacionalização
Presidente e um dos fundadores da Nexxera, empresa de tecnologia de Florianópolis com foco na transmissão de dados, que se tornou uma multinacional. O engenheiro civil Edson Silva, 49 anos, começou a carreira como funcionário do Estado na área de tecnologia da Prodasc, depois foi para o Ciasc, Codesc e Besc. Há 18 anos, junto com o irmão, o engenheiro eletricista Edenir Silva, e o técnico em processamento de dados, Rui Müller, fundou a Nexxera, para prestar serviços ao setor financeiro. É casado com Andréa Silva e pai de Sara e Marcela, do primeiro casamento.
Com serviços de qualidade em tecnologia da informação, a Nexxera, empresa de Florianópolis que acaba de completar 18 anos, é líder nacional no segmento de transmissão de dados em ambiente eletrônico e avança no exterior. Na sua carteira de clientes estão mais de 50 poderosos bancos nacionais e internacionais e grandes grupos. Seus serviços são acessados por 400 mil empresas conectadas em tempo real. Quem está à frente da nova multinacional manezinha é o engenheiro civil Edson Silva, um dos três fundadores, ao lado do seu irmão Edenir Silva e do sócio Rui Fernando Müller. O desembarque no maior mercado do mundo, os EUA, foi para atender o Citibank. A Nexxera acaba de abrir escritório em Bogotá, na Colômbia, e logo terá unidade também no Peru. Com cerca de 150 empregos diretos e 400 indiretos, a Nexxera vai encerrar este ano com faturamento de R$ 40 milhões e projeta receita de R$ 180 milhões em cinco anos com base na estrutura de negócio. Diante dessa força, não faltam propostas de compra por parte de investidores do Brasil e exterior, mas Edson Silva diz que a Nexxera ainda não está à venda.
Como vocês começaram?
Edson Silva – Eu e o meu irmão, o Edenir, hoje nosso vice-presidente, começamos a trabalhar na área de sistemas e telecomunicações da Prodasc, centro de processamento de dados do Estado que virou o Ciasc. O Rui Müller, nosso sócio, trabalhou na Hering. Quando começamos, mal existia a informática. Nas nossas funções, tivemos a oportunidade de conhecer o Brasil. Isso nos deu uma grande bagagem. Daí, sentimos dificuldades para crescer profissionalmente. Em 1989, estávamos sentados na Praia dos Ingleses, aqui em Florianópolis, conversando, e surgiu o projeto da nossa empresa. Ficamos três anos planejando e, em 1992, no topo da carreira pública, com os mais altos salários do Besc, nos aventuramos numa coisa nova, fomos para o mercado com produto sobre transmissão de dados.
Que serviços a Nexxera presta?
Edson Silva – O principal foco sempre foi o mercado financeiro. Investimos no relacionamento entre empresas e a sua comunidade para operações de compra, venda, pagamento, recebimento, crédito, o que tem a ver com parceiro, fornecedor e banco. Criamos uma plataforma para gerenciar o relacionamento entre empresas, transformando uma transação de papel em eletrônica, eliminando o uso do papel, o que é ecológico.
Vocês imaginaram se tornar uma multinacional?
Edson Silva – Nosso plano inicial era ser forte em Santa Catarina. Logo, o mercado nacional assumiu a Nexxera. Hoje, temos presença em todos os principais estados brasileiros, e agora, em função de clientes globais, estamos avançando no exterior. A unidade na Colômbia foi aberta em parceria com a Diveo e a PricewaterhouseCoopers e já tem 400 clientes. Entramos nos Estados Unidos para prestar serviços a um dos nossos clientes, o Citibank e, em breve, vamos para o Peru. Eu pensava em conhecer o Brasil e o mundo como turista e não como empresário. Hoje somos líderes nacionais no segmento de conectividade de dados.
Como a tecnologia de vocês ajuda as empresas?
Edson Silva – Toda a empresa precisa olhar o seu fluxo de caixa e em todo o processo mercantil há dependência de transações financeiras. Hoje, 85% das empresas são micro e pequenas e a maioria não é competitiva. Se essas empresas dão visibilidade das suas operações aos bancos, eles poderão emprestar a elas mais por um custo menor. Assim, elas se tornam mais competitivas. Isso acontece, também, com grandes empresas. A gente ajuda a dar mais visibilidade às empresas.
E os planos da Nexxera para serviços móveis?
Edson Silva – No segmento de pagamentos, a tendência do mercado é a mobilidade. Além do nosso sistema de pagamentos para pessoa física, o Sem Filas, estamos trazendo toda a nossa plataforma financeira para a mobilidade. Isto porque os executivos, cada vez mais, usam smartphones e podem trabalhar durante as viagens. A gente fechou uma parceria com empresa de Blumenau que trabalha com a interface da SAP e interligamos a plataforma. Uma integração de uma empresa SAP com banco demorava até120 dias e custava de R$ 100 mil a R$ 150 mil. Isto caiu para menos de R$ 12 mil e não leva 30 dias, o que significa menor custo e velocidade.
Terão nota eletrônica?
Edson Silva – Decidimos fazer a interconexão da nota com o mundo financeiro. Lançamos uma plataforma para a bancarização da nota fiscal eletrônica que pode ser usada por todos os fornecedores.
E o aniversário da empesa?
Edson Silva – Promovemos uma integração dos nossos colaboradores e clientes no último fim de semana. Nossos clientes passaram a conhecer os 90% que não conheciam da Nexxera e, por isso, poderão contratar mais serviços. Eles sentiram confiança na nossa plataforma, que é de ponta.
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Tecnologia
A Nexxera é uma empresa que ajudou a difundir a imagem de Florianópolis como polo de tecnologia da informação. Mostramos que o “made in Floripa” é bom, diz o presidente Edson Silva. Segundo ele, a prova da consolidação da Capital como polo de tecnologia é que hoje o setor arrecada seis vezes mais impostos ao município do que o turismo, que sempre foi a principal atividade.
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Social
Apesar de não ser uma grande empresa, a Nexxera investe alto em sustentabilidade. Hoje, 3% da sua receita vai para projetos sociais e o principal é o Instituto Nexxera, presidido por Andrea Silva. O maior projeto é a inclusão pelo vôlei em 18 comunidades de Florianópolis. Além do esporte, os alunos têm educação complementar e aulas de informática. A empresa também está investindo mais nas informações sobre sustentabilidade aos clientes. Quem deixa de emitir nota fiscal em papel, também evita o corte de árvores e preserva a natureza.
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Presença
Um dos projetos da Nexxera que ainda não saiu do papel é o da nova sede da empresa, em Florianópolis. Atualmente, ela funciona em dois prédios e a intenção é construir unidade própria, provavelmente na Baía Sul, observa Edson Silva.
Fora da Capital, a empresa tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e escritórios virtuais, com pessoas trabalhando em Recife, Brasília, Belém, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. No exterior, está em Miami e Botogá.
