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30 Janeiro 2017 #Mídia

O que a Nexxera tem?


Quem chega para uma reunião no grupo Nexxera será encaminhado à sala Jurerê. Ou então às salas Brava, dos Ingleses, Campeche ou Santinho. Batizá-las com nomes de praias de Florianópolis foi a forma que os fundadores encontraram para lembrar, todo santo dia, de como e onde tudo começou. “Foi numa conversa na praia dos Ingleses que eu, o Edenir [Silva] e o Rui [Müller] decidimos abrir a empresa”, diz Edson Silva, presidente da Nexxera. Daquela reunião com pé na areia e sol na cabeça – com muito entusiasmo e pouco planejamento – nasceu uma companhia com três funcionários (eles mesmos) e três sedes: a casa de cada um. Hoje, duas décadas depois, o grupo é formado por dez empresas, emprega 320 pessoas, fatura R$ 120 milhões e ocupa um prédio inteiro em Floripa.

A especialidade da Nexxera é oferecer plataformas integradas de serviços de automação bancária, gestão de cobranças e recebimentos e tecnologias de relacionamento com fornecedores. “Estamos conectados a 75 bancos e oito empresas de cartão, e fazemos mais de 5,2 bilhões de transações por ano”, diz Silva. São números que fazem espichar os olhos de investidores. Silva sabe disso. E está disposto a trazer mais um sócio para o negócio. Há um mês, contratou o BTG para fazer o trabalho de avaliação da Nexxera e “mostrá-la” ao mercado – o próprio banco, aliás, encabeça a fila dos interessados, que  inclui Carlyle, Blackstone e Pátria.

O que esses fundos de investimento e bancos enxergam vai além da meta da Nexxera de atingir o resultado de R$ 1 bilhão anual em 2017 (sim, dez vezes mais do que hoje). As tecnologias desenvolvidas pela empresa para o mercado financeiro e, mais tarde, para distribuidoras de energia e redes de varejo garantiram uma base de 5 mil contratos. Um bom número. Mas o que os investidores consideram excelente é a quantidade de pessoas que utilizam os serviços da Nexxera e não pagam por isso. “Hoje, quase 3 milhões de pessoas usam, de graça, nossa tecnologia. São os clientes de nossos clientes corporativos”, diz Silva. “O desafio é fazer com que eles gerem receita. É a estratégia do Vale do Silício: conquistar a base, depois começar a remunerar.”

A conta, diz Silva, é simples. “Se os 3 milhões me pagarem R$ 1, eu tenho uma receita de R$ 3 milhões que eu não tinha. Se pagarem R$ 2, eu tenho R$ 6 milhões.” Além disso, a estratégia prevê a entrada de pequenas e médias empresas na carteira de clientes – e, claro, novos contratos com grandes companhias. É assim que a Nexxera espera dar o salto para o faturamento bilionário. Se vai conseguir, é outra história.

 

De Cliente em Cliente


Falar em bilhões estava bem longe da realidade do trio nos anos 80. Naquela época, Silva e companhia integravam a primeira geração de analistas de sistema do Banco do Estado de Santa Catarina, o Besc. Uma das funções da equipe era buscar no mercado as melhores soluções de automação bancária. Anos depois, cheios de conhecimento sobre o assunto, eles optaram pelo voo-solo naquela conversa na praia dos Ingleses. “Usamos o último salário para dar início às atividades da empresa, que na época se chamava Compumarket”, conta Silva. “Depois vendemos carro, casa na praia, tudo para investir na companhia.”

Entre os primeiros clientes estavam as conterrâneas Tramontina e Marisol. Mas foi um acordo com o Banco Meridional que pavimentou o caminho para o crescimento: a instituição abriu sua lista de clientes corporativos aos parceiros e novos contratos foram surgindo. “Um cliente bem atendido vira sua maior referência”, diz Silva. Logo, Santa Catarina já parecia pequena para a Compumarket. Era a hora de tentar a sorte em São Paulo.

Toca para a rodoviária


Ainda que tivesse fechado bons contratos, a empresa ainda não estava na fase de gastar com “luxos”. Tudo o que entrava era investido no próprio negócio. Sendo assim, a viagem de Silva e seus sócios para São Paulo teria de ser feita de ônibus. Dez horas de estrada, desembarque na rodoviária do Tietê e táxi até o potencial cliente – que, claro, não precisaria saber dos pormenores da viagem (não pegava bem..). Fechado o negócio, o empresário paulista quis comemorar com um almoço. Escolheu um lugar caro. E Silva se sentiu na obrigação de pagar a conta. “Deixamos ele comer à vontade e pedimos, para nós, pratos baratos”, lembra. “No final, o cliente falou: essa é por minha conta.”

O pior veio depois. O cliente fez questão que seu motorista levasse os sócios ao aeroporto. “Tínhamos vindo de ônibus, paletó na mala. Como dizer que íamos para a rodoviária?” Não disseram. Conclusão: “O motorista nos levou até Guarulhos e tivemos de pegar um táxi para a rodoviária”. Na viagem de volta, durante a parada do ônibus, o trio só tinha dinheiro para um cafezinho. Vida de empreendedor...

A estratégia de reinvestir capital e desenvolver produtos para as necessidades dos clientes pagou-se, no final. Em 2000, a Nexxera passou a ser alvo de investidores. Chegou a fechar contrato com o Opportunity, mas devolveu o dinheiro um ano depois por “incompatibilidade de expectativas” entre os sócios. Silva diz ter tomado a decisão certa. Era hora de voltar-se para dentro, “reinvestindo em projetos de longo prazo”.

Hoje, a Nexxera tem escritórios em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Miami e Bogotá. O plano de crescimento inclui a captação de clientes nos Estados Unidos e na América Latina. “Colocamos um pezinho lá, agora é trabalhar e convencer o mercado”, diz Silva. Mas a prioridade, ele avisa, continua sendo o Brasil. “Tem muita empresa que faz uma coisa que dá certo e todo mundo quer fazer igual. Nós não sabemos fazer igual”, diz o empresário. É essa maneira de pensar diferente, segundo Silva, que vem atraindo o interesse de investidores. E, desta vez, os catarinenses estão prontos para recebê-los.

Fonte: Época Negócios

 

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